Sobre o que este capítulo trata
O alarme que não desliga.
No centro do cérebro existe um mecanismo de detecção de ameaças que agiu a nosso favor durante milênios. Diante do perigo, ele libera adrenalina, acelera o coração e contrai os músculos — preparando o corpo para lutar ou fugir. Em seguida, uma vez passado o perigo, o organismo retorna ao equilíbrio.
O que chamamos de ansiedade crônica ou trauma é, em grande parte, esse mesmo mecanismo operando fora do contexto original. O corpo permanece em modo de sobrevivência muito depois de o perigo ter passado — ou dispara alarmes diante de situações que se parecem, apenas superficialmente, com aquilo que um dia foi de fato ameaçador. A razão não consegue desligar esse alarme porque ele não opera no nível da razão.
Por isso, abordagens exclusivamente cognitivas ou verbais frequentemente encontram um limite. O trabalho com o sistema nervoso — através de técnicas de regulação, hipnose clínica e psicoterapia breve orientada para o corpo — abre um caminho que o diálogo racional, sozinho, raramente alcança.
