Sobre o que este capítulo trata
Toda hipnose é, no fim, auto-hipnose.
A imagem popular da hipnose — pêndulos, perda de consciência, comandos hipnóticos — pertence ao palco, não à clínica. Na psicoterapia contemporânea, sobretudo na linhagem ericksoniana, a hipnose é um estado de atenção concentrada que o próprio paciente acessa, com o terapeuta atuando apenas como guia da experiência.
Neurologicamente, o transe envolve uma redução da atividade na chamada rede de modo padrão — o circuito cerebral responsável pela ruminação ansiosa e pela autocrítica constante. Em paralelo, intensifica-se o funcionamento das áreas ligadas à imaginação ativa e ao processamento emocional. É nesse arranjo que o paciente consegue reorganizar memórias, ressignificar gatilhos e acessar recursos internos que a vigília racional dificilmente alcança.
Este capítulo descreve a abordagem clínica que pratico: o que a hipnose é, o que ela não é, como ela é conduzida online com segurança, e em que demandas tem demonstrado utilidade consistente.
