Capítulo II

A hipnose
como câmara escura
da psicoterapia

Psicoterapia e Hipnose Clínica Online — Psicólogo Victor Lawrence

Não é o pêndulo nem a perda de consciência. É um estado de hiperfoco onde a atenção, recolhida do exterior, passa a observar com nitidez o que normalmente está fora do campo de visão. O paciente permanece acordado, dialogando, no controle.

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IPremissa

Sobre o que este capítulo trata

Toda hipnose é, no fim, auto-hipnose.

No imaginário popular construído pelo entretenimento, a hipnose costuma ser retratada como um espetáculo de dominação e esquecimento: o pêndulo oscilante, o estalo de dedos imperativo e a figura de um operador que anula a vontade do sujeito, transformando-o em um autômato dócil. Essa representação dramática, embora eficaz para palcos teatrais e roteiros de ficção, não guarda qualquer parentesco com a prática psicológica contemporânea fundamentada na ciência. Conforme estabelecido pela definição consensual da Divisão 30 da American Psychological Association (APA), a hipnose clínica define-se como um estado de consciência caracterizado por atenção focada e redução da consciência periférica, potencializando a capacidade de resposta a sugestões terapêuticas construtivas (Elkins et al., 2015).

Na psicoterapia clínica, sobretudo na linhagem ericksoniana, a hipnose opera como uma câmara escura da mente: um espaço protegido de desaceleração e hiperfoco onde a atenção, habitualmente dispersa pelas demandas incessantes do mundo externo, é recolhida e convidada a iluminar com nitidez processos internos que costumam passar despercebidos. Não há sono, não há perda de consciência e não há quebra de valores éticos. O paciente permanece lúcido, acordado, dialogando e em pleno controle de sua agência, enquanto experimenta uma reorganização gradual de suas respostas afetivas e somáticas.

Em meu consultório, a hipnose ericksoniana não é operada como um adendo técnico mecânico justaposto a uma terapia prévia; ela constitui a própria epistemologia e metodologia de sustentação para uma psicoterapia breve, estratégica e focada na solução de problemas.

Resposta direta: A Hipnose Clínica Ericksoniana define-se como uma abordagem psicoterapêutica breve que utiliza estados naturais de atenção focada, absorção interna e flexibilidade psicofisiológica — genericamente designados como transe terapêutico — para facilitar a comunicação entre a intenção voluntária e os processos emocionais e corporais automáticos (Elkins et al., 2015; Erickson, 1958).

Diferente dos modelos clássicos e diretivos do século XIX, que dependiam de ordens autoritárias e roteiros rígidos, a abordagem ericksoniana é essencialmente naturalista, permissiva e individualizada (Erickson, 1958). O psicólogo não impõe comandos à mente do indivíduo; em vez disso, atua como um guia cooperativo que utiliza as próprias características, linguagem, metáforas, valores e até mesmo as resistências do paciente — o que Milton Erickson formalizou como o Princípio da Utilização (Erickson, 1959) — para construir caminhos singulares de reorganização interna. Investigações conceituais e metodológicas demonstram que as sugestões indiretas e naturalistas contornam a reatividade crítica sem despertar defesas contraproducentes, respeitando a autonomia do paciente (Lynn et al., 1993).

Muitas pessoas chegam ao consultório vivenciando uma desconexão angustiante entre a razão e o sentimento: compreendem perfeitamente a origem de seus medos, sabem logicamente que a crise de ansiedade é desproporcional ou reconhecem a irracionalidade de uma autocrítica severa, mas seus corpos continuam disparando taquicardia, aperto torácico e paralisia ao menor sinal de estresse. A Hipnose Ericksoniana atua precisamente nessa fronteira. Ao modular os circuitos de hipervigilância e integrar a atenção aos processos implícitos, a intervenção hipnótica amplia a eficácia da psicoterapia clínica, permitindo que aquilo que a pessoa compreende intelectualmente ganhe sustentação no sentir e no agir cotidiano (Kirsch et al., 1995).

IIMecanismo

Atenção, interocepção e o cérebro em transe

O fiscal interno, a ruminação e a Rede de Modo Padrão (DMN)

Um dos padrões clínicos mais prevalentes em indivíduos que sofrem com ansiedade crônica, estresse persistente ou traumas emocionais é o que denomino na prática de esforço exaustivo de controle. O paciente frequentemente relata que despende uma quantidade colossal de energia tentando "consertar" o que sente: tenta não pensar na preocupação, tenta respirar fundo deliberadamente, tenta forçar os músculos a relaxarem. Paradoxalmente, quanto mais força faz para expulsar a inquietação, mais o corpo reage com rigidez.

Essa armadilha cognitiva desdobra-se em um ciclo previsível:

  1. O organismo detecta um sinal sutil de desconforto ou ativação autonômica;
  2. A mente executiva consciente (córtex pré-frontal) assume a responsabilidade de resolver o desconforto por meio da força de vontade;
  3. Instala-se um "fiscal interno" hipervigilante, que passa a monitorar segundo a segundo se a calma já chegou (“Meu ombro soltou?”, “Minha respiração voltou ao normal?”, “Por que ainda sinto esse nó no peito?”);
  4. Como a regulação autonômica do relaxamento não se deixa comandar diretamente pela vontade ou por ordens de urgência, a pressão deliberada exercida pelo fiscal interno é interpretada pelo organismo como mais uma demanda de desempenho, elevando o estado de alerta e a ativação simpática;
  5. O fiscal toma essa nova tensão como prova inequívoca de fracasso, intensificando a autocrítica e o desamparo.

O "fiscal interno" é uma metáfora clínica que descreve uma experiência fenomenológica, e não uma estrutura anatômica isolada. Do ponto de vista neurocientífico contemporâneo, ele envolve a interação disfuncional entre o esforço deliberado de controle executivo (córtex pré-frontal) e o monitoramento narrativo autorreferente suportado pela Rede de Modo Padrão (Default Mode Network — DMN), circuito distribuído que envolve o córtex pré-frontal medial (mPFC), o córtex cingulado posterior (PCC) e o precúneo (Jensen et al., 2015; Landry et al., 2017). A DMN é ativada intensamente quando o indivíduo está imerso em autojulgamento, ruminação sobre o passado e antecipação catastrófica de ameaças futuras.

Investigações com Ressonância Magnética Funcional (fMRI) conduzidas na Universidade de Stanford por Jiang et al. (2017) mapearam três assinaturas neurobiológicas marcantes durante o transe hipnótico em indivíduos com alta capacidade responsiva:

  • Atenuação da atividade no córtex cingulado anterior dorsal (dACC): estrutura central da rede de saliência, ligada ao alarme de dor, conflito e triagem constante de perigos ambientais. Essa modulação no dACC converge com os achados clássicos de neuroimagem de Rainville et al. (1997), que demonstraram no Science a capacidade do transe de dissociar a dimensão afetiva-aversiva do estímulo da sua percepção somatossensorial primária;
  • Aumento da conectividade funcional entre o córtex pré-frontal dorsolateral (dlPFC) e a ínsula anterior: refletindo uma integração somática e interoceptiva mais refinada entre a capacidade atencional e a leitura visceral do corpo;
  • Desacoplamento funcional entre o dlPFC e o córtex cingulado posterior (PCC):nó posterior fundamental da DMN. Esse desacoplamento funcional entre a rede executiva atencional e os nós da DMN é compatível com a hipótese de uma trégua temporária no diálogo interno autocrítico, permitindo que a atenção se desvincule do monitoramento vigilante do "eu" (Jiang et al., 2017).

Vale assinalar com rigor os limites metodológicos desse estudo seminal: os participantes foram selecionados por índices muito elevados de suscetibilidade hipnótica, avaliados em contexto laboratorial artificial e sob induções padronizadas diretivas (diferentes do modelo naturalista ericksoniano), sem medida clínica direta de ruminação cotidiana. Interpretar esses achados de neuroimagem como redução da autocrítica é uma hipótese clínica coerente e plausível com o relato terapêutico e com os modelos biopsicossociais integrados (Jensen et al., 2015), não uma demonstração causal definitiva de laboratório.

Sob a perspectiva da teoria dos processos irônicos de controle mental de Daniel Wegner (Wegner, 1994) e dos modelos de processamento e codificação preditiva (predictive processing) da ciência cognitiva (Clark, 2013), quando o córtex executivo tenta forçar a supressão de pensamentos ansiosos sob sobrecarga cognitiva, o sistema de monitoramento automático ironicamente amplifica a saliência do próprio sinal indesejado. No transe hipnótico ericksoniano, viabiliza-se a suspensão temporária dos priors rígidos de ameaça e dos ciclos de hipervigilância irônica. Na prática clínica, portanto, não ordenamos que o paciente pare de controlar à força; o trabalho terapêutico consiste em oferecer um ambiente relacional seguro que permita ao fiscal interno descansar da tarefa de vigiar o organismo em tempo integral.

Ressalva Epistemológica Obrigatória: Correlatos identificados por neuroimagem funcional (fMRI, qEEG) descrevem configurações biológicas de redes em ambiente de pesquisa (Landry et al., 2017; Rainville et al., 1997); a fenomenologia clínica descreve o relato singular de apaziguamento e clareza do paciente; e a abordagem ericksoniana fornece a tecnologia comunicacional e simbólica de condução. Esses domínios dialogam e se enriquecem mutuamente, mas jamais devem ser confundidos como identidades biunívocas ou relações mecânicas de causa e efeito.

III — Esclarecimentos Éticos

O que a hipnose não é,
e o que de fato é

A desinformação herdada da hipnose de entretenimento gera resistências infundadas e atrasa a busca por cuidado qualificado. Revisões empíricas sobre os mitos e concepções errôneas da hipnose demonstram que equívocos sobre perda de vontade e sono decorrem fundamentalmente de dramatizações de palco desvinculadas da prática psicológica (Lynn et al., 2020). No consultório, a primeira intervenção clínica consiste em devolver a sobriedade ao método, separando o mito da realidade prática:

Mito

“O paciente dorme ou apaga totalmente.”

Realidade clínica

O paciente permanece em vigília atenta, plenamente consciente, ouvindo a voz do psicólogo e percebendo os estímulos ao redor. O transe é foco e absorção, não inconsciência (Elkins et al., 2015; Lynn et al., 2020).

Mito

“O terapeuta domina a mente do paciente.”

Realidade clínica

O paciente preserva a capacidade de filtrar e recusar sugestões que contrariem seus valores e integridade ética. O psicólogo é um facilitador colaborativo; a agência é sempre do indivíduo (Lynn et al., 2020).

Mito

“A pessoa pode revelar segredos involuntários.”

Realidade clínica

A hipnose clínica não atua como soro da verdade coercitivo. O indivíduo retém a capacidade integral de decidir o que compartilha ou cala, operando sob o sigilo profissional assegurado pelo CFP (Resolução CFP nº 010/2005).

Mito

“O transe à distância pela internet não funciona.”

Realidade clínica

A indução ericksoniana fundamenta-se na voz, no ritmo, na linguagem metafórica e no rapport. A videochamada com fones de ouvido preserva a condução do estímulo auditivo de maneira plenamente consistente e eficaz.

IVAplicação

Indicações clínicas e demandas no consultório

Para quais demandas a intervenção é indicada

A literatura científica contemporânea sobre hipnose clínica apresenta maturidade heterogênea conforme a demanda investigada: há amplo acúmulo de ensaios clínicos controlados e metanálises para dor crônica, procedimentos médicos, transtornos de ansiedade e sintomas pós-traumáticos, ao passo que investigações sobre o suporte a adultos autistas ou demandas executivas complexas ainda são preliminares e exploratórias. Na prática psicoterapêutica, a abordagem ericksoniana é indicada após avaliação individual cuidadosa nas seguintes frentes:

1. Transtornos de Ansiedade, Pânico e Hipervigilância: Na ansiedade generalizada (TAG) e nas crises de pânico agudas, o sistema nervoso simpático dispara alarmes falsos de perigo sem que haja ameaça real no ambiente imediato. A mente analítica tenta debelar a crise gerando mais pensamentos de controle, o que alimenta o espiral de pânico. Na metanálise de Valentine et al. (2019) no International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, envolvendo 17 ensaios clínicos controlados para transtornos de ansiedade, o tamanho de efeito médio obtido (d de Cohen = 0,79) demonstrou que o participante médio tratado com intervenções hipnóticas alcançou desfechos de alívio superiores a aproximadamente 79% dos indivíduos alocados nos grupos controle não tratados ou sob tratamento usual. Recentemente, a revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos randomizados conduzida por Çınaroğlu et al. (2026) corroborou a eficácia sustentada da hipnoterapia ericksoniana na regulação afetiva e redução da hipervigilância autonômica.

2. Reprocessamento de Traumas e Memórias Emocionais Difíceis:Vivências precoces de desamparo, rejeição, humilhação ou violência deixam marcas afetivas implícitas que continuam sendo reativadas por gatilhos do presente. Por meio de recursos ericksonianos de dissociação segura (como a observação com distância protetora ou a progressão temporal), o paciente pode revisitar os significados atribuídos a essas memórias sem ser inundado pela dor original. Metanálises documentam a eficácia e a segurança de intervenções hipnóticas no alívio de sintomas de estresse pós-traumático (Rotaru & Rusu, 2016; Thellier-François et al., 2026), enquanto investigações clínicas controladas evidenciam que a hipnoterapia ericksoniana produz desfechos clínicos equivalentes e complementares à terapia cognitivo-comportamental no tratamento do TEPT (Çınaroğlu, Çolker et al., 2026).

3. Fobias Específicas e Medos Condicionados: Em fobias (como medo de dirigir, agulhas, voar de avião ou claustrofobia), a resposta de esquiva ou congelamento opera em velocidade subcortical, antes que o córtex racional consiga intervir. A abordagem hipnótica constrói pontes experienciais imaginativas, permitindo que o organismo experimente respostas de calma diante do estímulo temido antes mesmo da exposição real no mundo concreto, atuando na inibição aprendida e na desativação de reflexos condicionados.

4. Manejo de Dor Crônica e Respostas Somatossensoriais: Em queixas de dores crônicas (como cefaleias tensionais, fibromialgia e desconfortos somatoformes), a literatura metanalítica clássica evidencia o impacto significativo da hipnose clínica na redução da intensidade e do incômodo afetivo da dor (Montgomery et al., 2000; Elkins et al., 2007). Ao modular a atividade do dACC e reconfigurar a leitura interoceptiva, a hipnose oferece aos pacientes ferramentas ativas de autorregulação e conforto físico.

5. Esgotamento Funcional, Burnout e Autocrítica Ruminativa:Profissionais submetidos a regimes severos de responsabilidade e sobrecarga cognitiva frequentemente desenvolvem uma postura de hiper-exigência e incapacidade de desconexão. O transe atua na descompressão do "fiscal interno", possibilitando que a pessoa estabeleça limites assertivos, recupere o ritmo fisiológico de descanso e cesse a punição interna por imperfeições menores, alinhando-se aos protocolos de hipnoterapia cognitiva para reparação de feridas emocionais e autorregulação (Alladin, 2016).

6. TEA em Adultos e Neurodivergência (Abordagem Sensorial e Rigidez): Na clínica do Transtorno do Espectro Autista em adultos, especialmente naqueles com diagnóstico tardio, o desgaste provocado pela camuflagem social contínua (masking) e a sobrecarga de estímulos sensoriais geram fadiga crônica. Embora a literatura empírica direta para hipnose clínica em autismo adulto seja ainda incipiente, a abordagem ericksoniana oferece ferramentas adaptativas sob medida: respeitando a rigidez cognitiva e a preferência por previsibilidade, utilizam-se induções individualizadas, sem metáforas abstratas forçadas, focando no desacoplamento da sobrecarga sensorial e na recuperação da energia psíquica.

VLimites

Critérios de exclusão e diagnóstico diferencial

Sobriedade ética, limites e diagnóstico diferencial médico

A sobriedade ética preconizada pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005), pelas diretrizes para uso da hipnose no exercício da Psicologia (Resolução CFP nº 013/2000) e pelos padrões de governança em saúde mental impõe uma exposição transparente dos limites e contraindicações da intervenção:

1. Enquadramento Regulatório do CFP vs. Epistemologia Clínica Ericksoniana: No plano estritamente jurídico-regulatório brasileiro, a Resolução CFP nº 013/2000 aprova e regulamenta formalmente o uso da hipnose sob a denominação administrativa de "recurso auxiliar no trabalho do Psicólogo". Contudo, na epistemologia psicoterapêutica ericksoniana contemporânea, há uma distinção teórica fundamental: a hipnose não é tratada como um adendo técnico acessório nem como ferramenta instrumental descolada da teoria, mas como a própria epistemologia comunicacional e metodológica de sustentação da psicoterapia breve focada em soluções (Erickson, 1958; Santana, 2023). Essa coexistência esclarecida entre o enquadre normativo do CFP e a matriz teórica ericksoniana ressalta que a intervenção hipnótica nunca atua isolada do diagnóstico psicológico, da escuta qualificada e do manejo ético global.

2. Proibição de Promessas de Cura ou Prazos Pré-Fixados:É expressamente vedado pelo Código de Ética Profissional (Resolução CFP nº 010/2005) e clinicamente desonesto prometer resultados milagrosos, eliminação instantânea de sintomas em uma única sessão ou estabelecer estimativas temporais genéricas de tratamento (como "alta garantida em X meses"). O processo psicoterapêutico é singular e depende da complexidade da demanda e da resposta individual de cada organismo.

3. Diagnóstico Diferencial Médico Mandatório: Manifestações somáticas (dores crônicas, espasmos gastrointestinais, fadiga extrema, palpitações) exigem investigação médica prévia e contínua. A existência de exames complementares normais indica ausência de lesão anatômica evidente, mas jamais autoriza o psicólogo a afirmar causa exclusivamente psicológica sem a devida exclusão médica formal. A hipnose atua no manejo do sofrimento associado, sem substituir tratamentos médicos necessários.

4. Cautela com Memórias Autobiográficas e Sugestionabilidade:O transe hipnótico não funciona como gravação pericial ou "máquina do tempo" para recuperação factual de memórias reprimidas. Pesquisas seminais sobre a maleabilidade da memória humana demonstram que sugestões induzidas podem produzir distorções ou falsas memórias com elevada convicção subjetiva (Loftus, 2005; Kihlstrom, 1997; Leo et al., 2025). Na psicoterapia ericksoniana para trauma, o objetivo clínico não é a comprovação factual-jurídica do passado, mas a desativação da reatividade afetiva dolorosa no presente e a reconsolidação de significados.

5. Contraindicações e Cuidados Rigorosos: A hipnose clínica não é indicada para quadros psicóticos agudos desestabilizados, estados de desorganização do pensamento, surtos delirantes ativos ou em pacientes com descompensação dissociativa severa sem ancoragem prévia suficiente. Em tais cenários, o enquadre terapêutico prioriza a estabilização psiquiátrica e a psicoterapia de suporte convencional.

6. Agência e Consentimento Permanente: Em todas as etapas da sessão, o consentimento do paciente é renovado. O indivíduo é explicitamente informado de que pode abrir os olhos, interromper o exercício, dialogar sobre um desconforto ou solicitar uma mudança de direção a qualquer momento.

Uma demonstração clínica de hipnose ericksoniana

Assista a uma breve demonstração de hipnose clínica ericksoniana com foco na técnica da levitação da mão. O vídeo ilustra, de forma simples e observável, como atenção, sugestão indireta, toque ambíguo e resposta corporal podem participar de uma experiência de transe, autoexploração e regulação interna.

Interlúdio · Demonstração

A levitação do braço como fenômeno de dissociação ericksoniana — uma das técnicas que tornam visível, no corpo, o trabalho silencioso do transe e a quebra da rigidez atencional.

Demonstração clínica didático-científica · Levitação ideomotora (Erickson, 1958; Rossi, 2002; Santana, 2023) · Consentimento livre, esclarecido e documentado em estrita conformidade com os Arts. 9º e 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005)

VI — Silo Especializado

Fascículos deste Capítulo II

Subpáginas dedicadas que aprofundam a fundamentação técnica e prática da hipnose clínica

Acervo Editorial Livre

Ensaios clínicos relacionados no Blog

Investigações teóricas, fenomenologia e estudos de caso desidentificados

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre hipnose clínica

Na hipnose clínica a pessoa perde a consciência ou o controle de si?

Não. Na abordagem clínica moderna, o paciente permanece em vigília atenta e participa ativamente de cada etapa. Você ouve a voz do terapeuta com clareza, percebe o apoio da poltrona e retém total discernimento moral e ético, podendo falar, discordar ou interromper o processo a qualquer momento.

A hipnose substitui a psicoterapia ou o acompanhamento médico psiquiátrico?

Não. A hipnose clínica não é uma panaceia nem uma intervenção isolada que dispense cuidados médicos. No meu consultório, ela funciona como a própria metodologia de fundamentação da psicoterapia breve focada em soluções. Casos que demandam avaliação psiquiátrica ou tratamento farmacológico mantêm o acompanhamento multiprofissional contínuo.

A consulta por videochamada (online) possui a mesma segurança e eficácia do presencial?

Sim. A indução ericksoniana apoia-se primordialmente no ritmo da voz, na escuta atenta e na comunicação estratégica, elementos que se preservam integralmente na consulta por videochamada. A literatura empírica comparativa específica entre hipnoterapia online e presencial ainda é incipiente e exploratória; em meu consultório, sigo protocolos técnicos e de enquadre ético rigorosos — uso obrigatório de fones de ouvido pelo paciente e pelo psicólogo, ambiente privativo com isolamento acústico e plano claro de contingência técnica caso ocorram oscilações na conexão de internet — assegurando consistência, estabilidade e total confidencialidade entre as modalidades.

Como a hipnose atua quando exames médicos laboratoriais dão normais, mas o mal-estar persiste?

Muitas queixas corporais decorrem de desregulação autonômica crônica e hiperativação de circuitos de dor ou alerta, sem lesão anatômica tecidual detectável em exames de imagem. A hipnose clínica auxilia o sistema nervoso a modular essas respostas disfuncionais e a dessensibilizar a reatividade corporal, atuando no sofrimento percebido em estreita articulação com o diagnóstico diferencial médico.

Toda pessoa consegue entrar em transe, mesmo mentes muito agitadas ou analíticas?

Não com a mesma facilidade. A capacidade de responder à hipnose varia entre as pessoas — trata-se de um continuum biocomportamental e atencional, e não de um interruptor binário. Contudo, na abordagem ericksoniana, o processo não depende de sugestões autoritárias ou de 'apagar pensamentos'. Mentes analíticas ou questionadoras respondem bem quando o método se adapta ao seu funcionamento cognitivo (Princípio da Utilização), integrando o raciocínio crítico em vez de tentar silenciá-lo à força.

É possível ficar 'preso' no transe e não conseguir acordar?

Não há evidência científica ou clínica de que alguém tenha ficado retido em transe hipnótico. O transe é um estado de absorção atencional; caso a condução externa seja interrompida (por exemplo, por uma falha de conexão na internet), a atenção do indivíduo reorienta-se espontaneamente para o ambiente externo em poucos minutos. Se houver cansaço físico prévio, a pessoa pode transicionar naturalmente para um sono fisiológico reparador e acordar no seu tempo.

A hipnose clínica promete cura rápida ou resolução em poucas sessões?

Não. Promessas de resoluções mágicas, curas garantidas ou fixação de prazos e número pré-determinado de sessões são expressamente vedadas pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005). Embora a psicoterapia breve seja estruturada para promover alívio e autonomia sem dependência prolongada, cada organismo e histórico emocional demanda um tempo singular de elaboração e estabilização.

Qual a diferença entre a Hipnose Ericksoniana e a Hipnose Tradicional?

A hipnose tradicional (clássica) apoia-se em induções padronizadas, sugestões diretas imperativas e uma relação vertical de autoridade. A Hipnose Ericksoniana adota um modelo naturalista, indireto e colaborativo: utiliza histórias, analogias e linguagem permissiva, adaptando o método à singularidade do paciente para contornar resistências sem confrontação desnecessária.

O que é necessário para iniciar o processo terapêutico no consultório?

O primeiro passo consiste em agendar uma sessão inicial de avaliação clínica. Nesse encontro, realizamos a escuta aprofundada da queixa, esclarecemos dúvidas sobre o funcionamento do método e definimos colaborativamente o enquadre e a pertinência da integração da hipnose clínica ao processo terapêutico.

Fundamentação Científica

Referências selecionadas (Norma APA 7ª Edição)

Psicólogo Victor Lawrence Bernardes Santana
Sobre o autor

Psicólogo Victor Lawrence Bernardes Santana

CRP 09/012681 · Mestrando em Ciências da Saúde (UFU)

Psicólogo clínico com atuação desde 2016, com foco em Hipnose Clínica Ericksoniana. Formação continuada pela Milton H. Erickson Foundation (EUA) e estudos na área de Psicometria e TEA em adultos.

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  1. Santana, V. L. B. (2023).

    Explorando a Comunicação Simbólica e as Estratégias Terapêuticas de Milton H. Erickson: Uma Análise Multinível dos Fundamentos da Hipnoterapia Ericksoniana

    Revista Fisio&Terapia, v. 27, ed. 125, p. 87

Preprints e Manuscritos Acadêmicos

Preprints são trabalhos acadêmicos disponibilizados antes da revisão por pares formal.

  1. Santana, V. L. B. (2023).

    Uso Simbólico do Fenômeno Hipnótico e sua Iconicidade na Terapia: Uma Revisão Sistemática da Literatura

    OSF Preprints

    DOI 10.31234/osf.io/2g5yjPreprint - sem revisão por pares formal
Doctoraliareferência externa pública
Tema mencionado

Hipnose clínica

Percurso prévio com outras abordagens

Síntese descritiva

Avaliações públicas mencionam pessoas que chegaram à hipnose clínica depois de outras experiências terapêuticas e valorizaram uma condução clara, cuidadosa e orientada ao processo.

Hipnose clínicaProcesso terapêuticoFonte externa
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