Masking e exaustão: por que o diagnóstico de TEA em adultos pode ser libertador
Muitas pessoas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) chegam à vida adulta sem diagnóstico, após anos tentando se adaptar a expectativas sociais que não correspondem ao seu funcionamento natural. Um dos principais fatores envolvidos nesse processo é o chamado masking.
O que é masking no autismo?
Masking é o termo utilizado para descrever estratégias conscientes ou inconscientes de camuflagem de características autistas. Isso pode incluir copiar comportamentos sociais, suprimir interesses, forçar contato visual ou controlar respostas emocionais para parecer “neurotípico”.
Embora essas estratégias possam facilitar a adaptação social em curto prazo, elas frequentemente exigem um alto custo emocional.
Por que o masking leva à exaustão?
Manter uma máscara constante demanda esforço cognitivo e emocional contínuo. Muitas pessoas relatam sensação de cansaço extremo, perda de identidade, ansiedade social intensa e dificuldade de recuperação emocional após interações sociais.
Com o tempo, esse estado pode contribuir para quadros de exaustão emocional, sintomas depressivos e sofrimento psicológico persistente.
Diagnóstico tardio de TEA em adultos
O diagnóstico de TEA em adultos não cria o autismo, mas oferece uma nova compreensão sobre experiências vividas ao longo da vida. Para muitas pessoas, ele funciona como um processo de ressignificação.
Compreender o próprio funcionamento permite revisar expectativas, reduzir autocrítica e desenvolver estratégias mais alinhadas às próprias necessidades.
Por que o diagnóstico pode ser libertador?
Ao reconhecer o papel do masking e suas consequências, muitas pessoas relatam alívio ao entender que dificuldades sociais, sensoriais ou emocionais não são falhas pessoais.
O diagnóstico pode abrir espaço para maior autenticidade, autocuidado e construção de uma vida mais coerente com o próprio funcionamento psicológico.
O papel da psicoterapia nesse processo
A psicoterapia pode oferecer um espaço seguro para explorar experiências relacionadas ao masking, à identidade e ao impacto emocional de anos de adaptação forçada.
O trabalho clínico não busca eliminar traços autistas, mas favorecer compreensão, regulação emocional e desenvolvimento de autonomia psicológica.
